Saturday, March 22, 2025

The Storytelling Brain: Confirmation Bias, Reason, and the Architecture of Thought

In their fascinating book The Enigma of Reason, cognitive scientists Hugo Mercier and Dan Sperber challenge the conventional view that confirmation bias is simply a flaw in our reasoning processes. Instead, they argue that what is typically labeled as confirmation bias is more accurately a "my-side bias"—a predisposition to defend one’s own beliefs in social contexts. Far from being a defect, this bias may have evolved to serve a vital social function: helping individuals advocate for their views during discussions, which in turn promotes more effective group decision-making than isolated reasoning would allow.

To illustrate this idea, the authors draw a comparison between human reasoning and the work of a defense attorney. A lawyer’s responsibility is not to uncover objective truth, but to defend their client’s interests by scrutinizing accusations, crafting counterarguments, and presenting favorable evidence. This approach parallels the way people reason in everyday life—selectively emphasizing information that supports their perspectives.

However, this analogy also highlights a structural weakness in the legal system. The fairness of judicial outcomes often depends less on the facts of the case than on the quality and expense of legal representation. Wealthier defendants, who can afford better lawyers, may achieve more favorable outcomes regardless of their actual guilt or innocence. Mercier and Sperber do not dwell on this flaw, but they appear to accept the legal system’s adversarial structure as sufficiently functional to justify the adaptive value of my-side bias. In their view, the courtroom mirrors social reasoning: a competitive arena where opposing arguments help a group (or jury) reach a more accurate conclusion.

Yet it is possible to imagine an alternative legal model—one in which the adversarial structure is replaced by a cooperative search for truth. In such a system, lawyers would adopt a neutral role, investigating and presenting all relevant evidence objectively, rather than acting as advocates. The jury would then deliberate over this balanced and potentially ambiguous set of facts to reach a verdict. This shift in legal structure invites broader reflection on the roots and implications of confirmation bias.

Beyond its social utility, confirmation bias may also be tied to fundamental features of how the brain processes information. Many neuroscientists argue that the brain functions less as a passive recipient of data and more as an active filter. Rather than processing the full complexity of our sensory environment, the brain prioritizes, organizes, and simplifies information into manageable, coherent mental models.

In this way, experiencing reality becomes similar to constructing a narrative. We choose particular details, emphasize certain elements, and shape stories that are emotionally resonant and easy to remember. Because these narratives are formed primarily for ourselves, they are heavily influenced by prior beliefs and cognitive limitations. Confirmation bias, then, can be seen as a byproduct of this internal storytelling mechanism.

This tendency is further reinforced by the social nature of human cognition. Stories—whether individual interpretations or cultural narratives—gain influence not necessarily because they are true, but because they are compelling. Those that align with shared values or evoke emotional responses are more likely to be remembered and repeated. As a result, our understanding of reality is shaped both by internal cognitive processes and by the external social environment. Whether this mechanism enhances group survival is a question answered only over long evolutionary timescales.

Taken together, these insights suggest that confirmation bias could be seen as part of a broader "simplification bias," a necessary adaptation to navigate a complex world with limited cognitive resources. While simplification enables efficient thinking and decision-making, it also constrains our ability to engage with nuance and complexity. Developing our capacity to entertain diverse and even conflicting perspectives can help mitigate these constraints. By doing so, we rely less on oversimplified mental models and approach a more accurate, multifaceted understanding of the world. In the end, the internal coherence we seek—the narrative that helps us interpret reality and define our sense of self—is not only crucial for communication and decision-making but also central to our experience of being human.

Thursday, August 06, 2015

Suspenso no ar

Estou em um avião, que após uma subida contínua, desligou os motores e ficou suspenso no ar. Silenciosamente contornamos o topo de uma montanha invisível, na iminência de começar uma nova trajetória, mas com a impressão que o próprio tempo parou. Passageiro, refém da física, experimento a gravidade zero a levitar meu coração... o estômago parece vir à boca, e medo, ansiedade, alegria, tristeza e remorso, tudo se mistura. O próximo minuto pode mudar tudo. Enfim me pergunto, quantos minutos foram assim tão determinantes? Talvez todos?

Thursday, November 29, 2012

Durante dois anos de meu doutorado eu trabalhei numa espécie de "centro de vivência" para estudantes de pós-graduação da universidade, o Big Red Barn. Todos os dias antes do almoço eu deixava minha bancada, a tela do computador e descia do Wing Hall, passava pela biblioteca, desviava um pouco para baixo, passando pelos caminhos que levavam até as plantations e em menos de dez minutos (uns 12 no inverno) eu estava lá para contar o dinheiro do caixa e preparar os materiais para os demais colaboradores trabalharem na tarde.

Algumas vezes passava algum tempo conversando com minha chefe, que hoje percebo, foi também orientadora em muitos aspectos de minha vida acadêmica. Ordinariamente, saía do Big Red Barn em menos de uma hora, voltava para o laboratório, normalmente subindo pela Tower Road, vendo o movimento dos estudantes saindo das aulas.

Fiz isso muitas vezes, em todas as estações do ano. E hoje percebo o quanto eu apreciava aquela caminhada no meio do dia. Eram apenas poucos minutos de total desligamento dos problemas que o doutorado me impunha, alguns bastante desafiadores à época. Quando me inscrevi para o trabalho, estava buscando uma forma de interagir com a comunidade mas, principalmente, fazer um dinheiro extra. Consegui muito mais que isso.

Monday, October 17, 2011

Os culpados ainda não foram punidos

De um administrador, defendendo que os culpados pela crise econômica já foram punidos:

"Capitalistas que tinham casas milionárias, perderam 40% do valor de suas casas.

O trabalhador, o expoliado trabalhador, viu o nivel de desemprego subir de 6% para 9,1%, ou seja 3% perderam o emprego, bem diferente dos 100% que perderam 50% do seu capital." (Grifo do autor)

Realmente não consigo entender o que se passa na cabeça de alguém que compara "perda no valor de sua casa" a "perda no nível de emprego".

Certamente não pensa na possibilidade de ser uma das milhões de pessoas que compõe os 3% de desempregados.

E certamente não compreende que a desvalorização da casa em que você mora não te afeta em absolutamente nada, até o dia em que você perder seu emprego e tiver que mudar.


Sunday, January 16, 2011

Crise

Qual é o tamanho da crise necessária para estimular mudança em uma sociedade?

Vamos continuar a culpar uns aos outros, nos agarrando aos mais convenientes argumentos, ou vamos aprender a ouvir, a buscar os erros, assumir erros, assumir responsabilidades?

Quantos de nós precisamos morrer soterrados para que o desastre seja importante o suficiente?

Não estávamos preparados para a tragédia dessa semana na região serrana do Rio. Não estávamos preparados, ponto final. E não estamos preparados para milhares de outras tragédias prontas a acontecer. Talvez ainda essa noite mais um deslizamento ocorrerá, e soterrará uma dezena de casas em Juiz de Fora. Talvez os três rios que passam pela cidade que leva esse nome inundarão a mesma novamente amanhã. Talvez a ponte da BR-040 que passa pela cidade de Conselheiro Lafaiete cairá amanhã (espero que não seja no momento em que eu, ou qualquer outra pessoa, esteja sobre ela).

A lista de desastres prontos para ocorrer pode encher um livro, ou vários. Temos que mudar nossa sociedade e começar a agir, ao invés de lamentar. Talvez pudéssemos criar um blog dos desastres por ocorrer. Seria interessante eventualmente ver alguns desses serem evitados, e talvez servisse de alerta para a sociedade quando algum deles realmente acontecer.

Sobre o Carnaval: não será difícil manter o carnaval do Rio deste ano, não obstantes as mortes ocorridas nesta semana e as outroas que ainda, infelizmente, decorrerão dessa catástrofe. A desculpa deverá ser algo em torno de que os brasileiros não se deixam abalar, brasileiros não desistem nunca. Morremos hoje, celebramos amanhã, epítome do individualismo que domina cada vez mais claramente nossa sociedade.

E, para terminar, desde já fica minha previsão: gastaremos muito mais com o carnaval do que com o resgate dos atingidos pelas chuvas em Teresópolis e cidades vizinhas. Espero que consiga ajuntar os números para escrever sobre isso mês que vem.

Tuesday, January 11, 2011

Marx e Hitler

"Jared Loughner, 22 anos, o atirador do Arizona, tem problemas psicológicos. Era também um fanático por teses extremistas – em sua casa, a polícia encontrou livros de Karl Marx e Adolph Hitler".
Jornal do Brasil, 11/01/2011

Sobrou até para Karl Marx...

Thursday, September 23, 2010

O jeitinho brasileiro...

Retornar ao Brasil tem sido muito mais difícil que eu poderia ter imaginado. O choque de ver que o Brasil que eu idealizava não existe é muito grande. O maior desafio é redesenhar as expectativas (não esperar muito é melhor) e planos... nosso país parece viver num momento de crescimento exponencial, quem diria, do individualismo, onde as classes mais baixas vão comprando a prestações seu ingresso para a classe média, como toda a arrogância e mediocridade que o título inclui.

É difícil conviver no trânsito, é difícil fazer negócios, é difícil depender dos serviços... em tudo todos querem levar um pouco mais de vantagem que o outro, e todos acham que têm a preferência. Da mesma forma que todos acham que dirigem muito bem, o dono da casa que eu alugo se gaba de sempre fazer as coisas "muito certinhas", e me liga no final do ano perguntar se eu pretendo declarar o valor que eu pago de aluguel. "Se um declara, o outro tem que declarar também, para ficar tudo certinho".

Aterrisei dentro da instituição pública, para não ficar dúvidas de que realmente estamos falando de um GRANDE CHOQUE. Lá fica evidente que a única forma de se sobrevivier além dos 45 anos de idade é diminuir as expectativas, aceitar a falta de profissionalismo, falta de ética, falta de competência como fases passageiras da construção de alguma coisa grandiosa. E estamos todos nesse barco, onde não sabemos se devemos astear as nossas bandeiras ou não...