Monday, July 03, 2006

Viva ela...

Ninguém se torna arqui-corrupto do dia para noite e por pura e simples opção. É um processo envolvente, em que a vítima é atacada por todos os lados.

O medo pode ser usado em diversas etapas desse processo, e de diferentes maneiras, mas certamente é parte central no manual do corrupto de sucesso. Medo de não ter dinheiro para comprar mais um degrau na escada social, de não vencer as eleições, de ter a familia perseguida, de ser perseguido pelos vizinhos...

Somente o temor à punição Divina não deve ser usado com freqüência nesses casos por ao menos três razões óbvias: primeiro porque Deus não tem feito punições exemplares com a frequência que seria necessária para nos manter na linha; segundo, esse argumento já foi exaustivamente batido pelas religiões ao redor do mundo e não tem tido um grande efeito no longo prazo, e, enfim, e por tudo isso e muito mais, é claro que o temor a Deus está em baixa ultimante: temos muito mais medo um do outro do que do Criador.

A escalada da corja corrupta e hipócrita, entrentanto, é exponencial: ao primeiro deslize, você se torna escravo. É como subir uma escada no escuro, em que todos os degraus vão sendo removidos à medida em que são deixados para trás. A cada passo adiante, mais coragem seria necessária para voltar atrás e encarar o vazio dos erros passados. A conclusão é simples: não há tempo para pensar, os valores têm que estar claramente definidos, de modo que as decisões sejam tomadas sem vacilar.

Esses são os termos em que ressalto a importância de atitudes como a empresária Ana Maria Rangel, candidata à presidência pelo PRP. Para garantir a candidatura de Ana Rangel, o presidente do partido lhe pediu 14 milhões de reais, parte do que deveria ser pago diretamente a ele, em dinheiro. Claro que diversos fatores poderiam ter levado a candidata a denunciar o presidente do partido, Ovasco Resende, como o fez, mas o importante e lembrar que muitos estiveram so as mesmas circunstâncias, e não o fizeram.

http://estadao.com.br/ultimas/nacional/noticias/2006/jun/30/384.htm

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